Quinze dias depois
As impressões são várias, especialmente sobre Lisboa. Quase nada mudou desde Dezembro – a última vez que cá tinha estado. As pessoas parecem-me inutilmente ansiosas e muitas delas irremediavelmente deprimidas. Outras apenas resignadas em viver cá. “A vida está muito mal, muito mal. Mas temos de continuar”, diz-me a senhora do quiosque.
Nem tudo é mau, no entanto. Esperava o calor dantesco de Verões anteriores e a sujidade habitual que caracteriza Lisboa nesta altura. Longe disso. As ruas estão menos movimentadas e, crateras na calçada à parte, os locais parecem-me mais limpos. Começando nas pessoas. Bem vestidas (o meu termo de comparação agora está no modo de vestir indescritível dos ingleses) e ligeiramente mais sorridentes. Pode ser do tempo.
Aqui ainda se fala muito de Maddie. “Como é possível os britânicos serem tão cuidadosos com a segurança pública e depois estes pais terem deixado a menina sozinha?”, perguntam-me. Não encontro resposta. Na verdade, por muito obcecados que sejam pelas questões mais elementares do Health & Safety no seu dia-a-dia, os britânicos mantêm um certo comportamento de risco, uma tendência inevitável para se desleixarem, especialmente em férias.
É um lugar-comum falar-se da crise. Ganha-se cada vez menos, e isto quando se ganha. Muitos amigos estão no desemprego e outros arrastam-se em call-centers – um dos últimos redutos para as novas gerações. “Faltam-nos as cunhas”. Sim, sempre as cunhas.
No meio do deserto, é bom ver caras antigas, começando pela família. A saudade é coisa portuguesa, sim, e a sensação de estar de novo com familiares e amigos é doce e espera-se que dure, que o tempo pare. Já falta pouco para Setembro.
À família juntou-se mais uma cadela: chama-se Sushi e foi apanhada na rua. Quatro meses de idade. Tinha sido atirada para um contentor de lixo e já estava coberta de vermes. Nem reagiu quando foi retirada do meio da imundície.
Hoje, desparasitada e devidamente tratada, recuperou a alegria de viver. Conheço histórias semelhantes que não terminaram tão bem.
Nem tudo é mau, no entanto. Esperava o calor dantesco de Verões anteriores e a sujidade habitual que caracteriza Lisboa nesta altura. Longe disso. As ruas estão menos movimentadas e, crateras na calçada à parte, os locais parecem-me mais limpos. Começando nas pessoas. Bem vestidas (o meu termo de comparação agora está no modo de vestir indescritível dos ingleses) e ligeiramente mais sorridentes. Pode ser do tempo.
Aqui ainda se fala muito de Maddie. “Como é possível os britânicos serem tão cuidadosos com a segurança pública e depois estes pais terem deixado a menina sozinha?”, perguntam-me. Não encontro resposta. Na verdade, por muito obcecados que sejam pelas questões mais elementares do Health & Safety no seu dia-a-dia, os britânicos mantêm um certo comportamento de risco, uma tendência inevitável para se desleixarem, especialmente em férias.
É um lugar-comum falar-se da crise. Ganha-se cada vez menos, e isto quando se ganha. Muitos amigos estão no desemprego e outros arrastam-se em call-centers – um dos últimos redutos para as novas gerações. “Faltam-nos as cunhas”. Sim, sempre as cunhas.
No meio do deserto, é bom ver caras antigas, começando pela família. A saudade é coisa portuguesa, sim, e a sensação de estar de novo com familiares e amigos é doce e espera-se que dure, que o tempo pare. Já falta pouco para Setembro.
À família juntou-se mais uma cadela: chama-se Sushi e foi apanhada na rua. Quatro meses de idade. Tinha sido atirada para um contentor de lixo e já estava coberta de vermes. Nem reagiu quando foi retirada do meio da imundície.
Hoje, desparasitada e devidamente tratada, recuperou a alegria de viver. Conheço histórias semelhantes que não terminaram tão bem.
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